Quinta-feira, Julho 02, 2009

Miniconto

E cá estou eu, mais uma vez, parada, olhando para o nada e tentando escrever algo por aqui. Minha gente, são tantas emoções que minha cachola não tá com estrutura no momento para criar as crônicas e os pensamentos que vocês costumam ler por aqui. Na verdade verdadeira, estou muito mais pra ficção do que pra realidade. É em meio às palavras de mundos fictícios que ando me perdendo de prazer. Por isso, a pedidos e por desejo meu também, lanço aqui um desafio: vamos escrever um miniconto? Minicontos são histórias extremamente curtas - apenas 50 palavras, nem mais, nem menos. Com começo, meio e fim. Aqui vai um exemplo:

"Uma Vida", de Jane Rosenberg, Reino Unido.

"Joey, terceiro de cinco filhos, saiu de casa aos dezesseis, viajou pelo país e acabou em Nottingham com mulher e filhos. Eles trabalham, as crianças brincam e orçamento nunca fecha. Às vezes, daria tudo para desaparecer, mas ele sabe que ela só tem um ano de vida; ela não." 

Vamos ao nosso? Eu começo e vocês terminam. Mas, lembrem-se da regra das 50 palavras!!

Só ele sabia o quanto aquela criança era desejada. E só ela sabia que aquela criança não era dele. (19 palavras, por enquanto)

Quem dá mais?


Segunda-feira, Junho 15, 2009


E já que me falta tempo para elaborar algo mais profundo, aqui vai uma nova dica: "A Partida", que ganhou o Oscar de filme estrangeiro esse ano. Merecido!

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Alzheimer


Minha gente, sei que não apareço por aqui há tempos, mas me sobrou um instante dessa noite e adoraria indicar uma leitura: "Para sempre Alice", de Lisa Genova. O livro conta a história de uma professora e pesquisadora de Harvard que, aos cinquenta e poucos anos, é diagnosticada com o Mal de Alzheimer de instalação precoce. É um drama, uma história triste, mas muito esclarecedora. E digo isso com muita segurança, porque vivi onze anos na mesma casa onde estava uma portadora desta doença cruel: minha queria avó, Maria Luiza. O livro não é interessante só para quem tem caso na família. Os curiosos também vão aproveitar muito a leitura, se informar e se deparar com uma história que fala, sobretudo, das surpresas que a vida nos reserva - sejam elas boas ou más. 

Ah! O novo trabalho do Ang Lee merece uma olhada - "Desejo e Perigo". Para os mais sonolentos, nada de ir na última sessão. O filme tem mais de 2h30. Mas, vale a pena!!

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Heróis documentados


Esse fim de semana fui ver "O Equilibrista", um documentário imperdível, que conta a história de Phillippe Petit, um francês que realizou a façanha de se equilibrar num cabo de aço entre as torres gêmeas do World Trade Center, em 1974. Você tem todo direito de se perguntar: eu vou pagar R$ 16,00 pra ver um aventureiro se equilibrando durante duas horas? Pague, meu amigo, pague. E não te arrependerás. O filme é muito mais do que isso. Petit é um personagem encantador, obstinado, romântico e seu objetivo maior pode ser encarado como uma grande metáfora da vida. Bom, mas não é exatamente sobre o filme que quero falar. É que durante essa sessão, algo curioso me ocorreu. Somos de uma geração que vê e produz documentários de grandes artistas, músicos, atores, realizadores. As personalidades da época de nossos pais e avós tinham mais tempo para criar e fizeram muita história. História essa da qual nos revelamos ótimos contadores e investigadores. Não temos tempo de ficar horas com os amigos, sem muita preocupação com o futuro, compondo pérolas, como faziam Tom Jobim e companhia, no apartamento de Nara Leão, de onde saiu a fina flor da bossa nova. Somos de outro tempo - somos do tempo em que tempo é dinheiro, em que os "berries" e msn's da vida - inicialmente criados para que economizássemos tempo - tiram-nos mais tempo do que nunca. "Tempo, tempo, tempo, tempo" - canta nosso Caetano, e hoje repetimos esse mesmo refrão sem o romance de antigamente. Mas isso faz de nós, como falei acima, ótimos contadores dessas histórias deliciosas. Temos a tecnologia a nosso favor e isso faz com que os registros de épocas passadas estejam prontos para a apreciação do público de forma rápida e muito bem acabada. Aí, como uma reflexão puxa outra nesta mente inquieta, me perguntei: e os nossos filhos, que tipo de documentário verão? Provavelmente, filmes que contarão as histórias de vida de Steve Jobs, Evan Williams, algum cineasta premiado com seus filmes feitos em celular ou até mesmo alguns de nós que vão se sobressair em meio à massa apertadora de botões. Antes que alguém me pergunte, isso está longe de ser uma crítica. É apenas uma constatação de que os tempos são outros e serão outros ainda mais diferentes quando nossos filhos estiverem crescidos. O tempo passa e se renova. E é nessa maré que vêm e vão os heróis de cada tempo. 

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Santo apóstrofo!


Não consegui fazer a figura ficar maior, mas explico: esse é um trecho de uma prova, provavelmente feita por um jovem do ensino médio, em que pergunta-se qual é a função do apóstrofo. Eis a resposta:

"Apóstrofos são os amigos de Jesus, que se juntaram naquela jantinha, que Michelângelo fotografou". 

Hein?


Domingo, Abril 26, 2009

Corra, Isabella, corra!


Quem me conhece sabe que a maior parte das minhas referências vêm do cinema, por isso o título desse post é o que é: uma referência ao filme "Corra, Lola, corra!", em que a protagonista - foto - corre durante as duas horas inteiras da trama. Quem não viu, pode pegar na locadora, vale a pena. Bom, mas o motivo da minha vinda aqui hoje é falar de corrida. Só que, pra falar de corrida, vou ter que começar falando de correria. Vocês vão entender. Seguinte: sempre trabalhei muito, muitas horas mesmo, inclusive finais de semana. Fiz parte do mundo corporativo, onde aprendi bastante - diga-se de passagem - e também fiquei muito entediada com aquelas regras de horário e preenchimento de ficha de ponto. Um dia deu a louca, minha gente, e cheguei à conclusão de que essa não era a vida que desejava. Queria mais tempo. Tempo pra mim, para os amigos, para a família, para o cachorro, para as plantas, enfim, tempo. Foi aí que tomei a decisão de não fazer mais parte dessa correria e resolvi virar autônoma, o que foi acontecendo naturalmente. Passei, então, a ter mais poder de escolha e, consequentemente, mais tempo. Hoje, continuo trabalhando muito, só que de uma forma bem diferente e melhor. Onde quero chegar? Na corrida. É que com a nova organização do meu tempo, passei de atleta de fim de semana - quando dava - a atleta de maratona. Não, ainda não cheguei à verdadeira maratona de 42Km, nem à meia, mas ando correndo por aí feito a Lola. Só que por prazer, prazer esse que me faz liberar endorfina quase sempre, o que é uma vantagem nos dias caóticos e estressantes de hoje. Enfim, pode parecer frase de livro de auto-ajuda, mas tenho que dizer: a corrida mudou a minha vida. E o meu corpo também. Tem muita gente que acha que corrida é um esporte difícil e tal. De fato não é fácil ir do Leme ao Pontal sorrindo, mas se você treinar, consegue. É isso mesmo, ando fazendo campanha pela corrida para os amigos e conhecidos e, agora, pra vocês. Alguns me olham torto, outros dizem que não têm tempo e os mais boêmios preferem deixar pra depois do chopp. Aí, já viu...  Mas, aqui fica a dica para aqueles que querem achar um esporte ao qual se dediquem, sem ter que fazer esforço pra levantar da cama.Ou até mesmo para os mais ousados que desejam se entregar a uma droga, só que do bem.  Chego aos 33 dentro de 4 dias e esse foi o presente mais bacana que ganhei esse ano. Sim, porque se hoje corro como a Lola, foi porque um certo alguém - aliás o alguém mais generoso que já conheci na vida - fez uma campanha muito bem feita e eu caí feito um papa-léguas! Bip bip!

Terça-feira, Abril 14, 2009

Brincando de Forrest Gump

Eu começo e vocês continuam do ponto onde a história parou, ok?! Minha intenção é publicar aqui um conto coletivo, feito por todos nós. Vambora!

"O calor derretia os miolos de quem passava pelo número 33 da Rua do Riachuelo, naquele típico dia de verão ensolarado, no Rio de Janeiro. Mas, Amilcar não podia ficar em casa. Havia muito o que fazer: pagar contas atrasadas, entregar documentos para o Leão, acertar as pendengas com seu Juvenal da mercearia e, claro, parar pra jogar uma sinuca mais tarde e tomar aquela branquinha. Afinal de contas, era dia santo e não havia nada como uma birita pra que o pedido saísse perfeito. O celular tocava o tempo todo. E olha que nem era daqueles de rico, não. Tava mais pra um tijolão do que pra um "berry" da vida. 

- Alô?

- Alô, Amilcar? Maria da Graça, tudo bem? 

- Quem? A ligação tá uma merda.

- Cara, tô precisando de um favorzão seu..." 

Cacholas criativas, ao trabalho!


Segunda-feira, Abril 06, 2009

É tempo de criar!


Ando muito influenciada pelas minhas leituras sobre o lado direito do cérebro e lanço aqui mais um exercício criativo, parecido com aquele sobre a foto de uma placa, que tirei na China. Alguns de vocês devem lembrar que era uma placa com um significado misterioso e todos deixavam suas apostas sobre a suposta mensagem contida naquele objeto. Pois aqui está mais uma foto, desta vez da região serrana do Rio. Sem mistérios. Só proponho que você me conte que sensações e/ou sentimentos ela lhe traz. Ou não traz... É tempo de criar. Mãos à obra!

Segunda-feira, Março 30, 2009

Dicas

O TED é um site onde você encontra palestras de pessoas das áreas de tecnologia, entretenimento e design. A página nasceu com uma proposta muito bacana de trocar conhecimento, espalhar o saber. Mais do que isso, no TED você ouve as mais variadas experiências de vida, histórias incríveis de pessoas de todas as raças, crenças e idades. Estou viciada. Passa lá!

E  já que o assunto é dica, aqui vão outras: 

"O Visitante", num cinema perto de você!

"O Cérebro do Futuro: A revolução do Lado Direito do Cérebro", de Daniel H. Pink, na livraria mais próxima de sua casa. Pra quem - como eu - anda muito interessado no assunto, um livro esclarecedor, que propõe exercícios muito bacanas!

Quinta-feira, Março 19, 2009

PRK-30 no cinema


Foi com muito prazer que li, hoje, na coluna "Gente Boa", do Jornal "O Globo", essa notinha. Todo mundo sabe das dificuldades de se fazer cinema no Brasil. Mas, por uma causa tão nobre, vale tentar até o fim! Espero, através desse filme, resgatar a memória desse país que sofre de amnésia e ser a porta-voz de um programa que fez história no rádio brasileiro. Que meu vô "alumie" meus passos e mande boas vibrações lá de cima!!

P.S: Eita sobrenome difícil de ser reproduzido! Eu sou Sales, Paes, Jaes... A numerologia explica!

P.S 2: Aproveito para agradecer a repórter Maria Fortuna, que se interessou por essa história, e também ao Joaquim Ferreira dos Santos e toda sua equipe.

Domingo, Março 15, 2009

Pra que tanta desconfiança?


Pode não significar nada pra você. Mas, pra mim, muito significou. Na última sexta-feira precisei entregar um documento importante numa determinada empresa, localizada numa rua que pertence à categoria "inferno para estacionar". Pois bem, peguei o meu carro e lá fui eu rezando para encontrar uma vaga. Já estava atrasada para o meu próximo compromisso e, se não achasse uma vaga de primeira, não poderia ficar dando voltas e mais voltas, situação essa que me fez ficar um tanto quanto apreensiva. Coisas do mundo moderno. Bom, não achei vaga, a rua estava lotada de carros em vagas permitidas e não permitidas e, à medida que eu chegava perto, pensava rápido no que ia fazer. Foi quando parei em frente ao local e vi um motoboy. Deu-se o seguinte diálogo:

Isabella, sorrindo, como sempre: Moço, tudo bem?

Moço, muito cordial: Tudo!

Isabella: Você vai entrar aí?

Moço: Vou!

Isabella: Você me faz um favor?

Moço: Sim!

Isabella: Pode deixar esse envelope na portaria pra mim? É que não estou achando vaga...

Moço, já pegando o meu envelope: Claro!

Isabella: Obrigada!

Moço: De nada. Tchau!

Parti com o carro sem sequer ver o que o motoboy havia feito com o envelope e sem saber se ele havia entrado, de fato, na empresa. 

O ocorrido: Isabella entrega um envelope, endereçado ao financeiro de uma empresa, a um completo desconhecido. 

Pensamentos após o ocorrido: "Devia ter esperado o cara entrar, pelo menos pra ver se ele entrou no lugar onde eu estava pensando. Perguntei se ele ia entrar "aí". O "aí" dele poderia ser diferente do meu "aí". Que louca eu sou, meu Deus. Como é que eu entrego um envelope com um conteúdo importante desses assim para uma pessoa que eu nunca vi?" E por aí vai...

Perguntas feitas a mim mesma após o corrido: Seria essa uma atitude inocente, de alguém que ainda acredita na raça humana? Seria eu uma pessoa que confia no outro acima de tudo? Será Isabella um E.T, de passagem pelo Rio de Janeiro, uma cidade onde - segundo os periódicos lidos no espaço - malandro não tem vez? Teria sido apenas mais uma leve distração, que havia me tirado da órbita por alguns instantes, fazendo com que eu realizasse coisas não muito comuns para alguém que vive numa metrópole? Ou, mais simples do que tudo isso, teria eu realmente acreditado naquele honesto motoboy que, prontamente, atendeu o meu pedido?! 

Digo "honesto" porque, independente do que tenha acontecido comigo nessa fração de dia, o envelope chegou ao seu destino e passa bem, obrigado! E digo mais: tive uma atitude que, hoje em dia, nem náufragos habitantes de ilhas desertas conseguem ter. E sabe que gostei?! Algo me diz que ainda não fui engolida pela desconfiança que reina nesse nosso "admirável mundo novo"!


Quarta-feira, Março 11, 2009

Dicas dos leitores


Ao ler o post abaixo, o leitor de "Mente Inquieta", Maker, sugeriu que eu visitasse um link que mostra a palestra da neuroanatomista Jill Bolte Taylor. Ela faz um relato divertido e emocionado sobre sua experiência ao sofrer um derrame, do qual conseguiu se recuperar totalmente. Gostei tanto do vídeo, que resolvi dividir com vocês. São quase 20 minutos, mas passa rápido! 


E já que estamos falando de dicas de leitores do blog, vale a pena passar nos comentários do post anterior e ler o texto postado pelo Serginho Brandão!

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Silêncio com bg


Já que a Índia tá na moda, vamos a um provérbio que vem de lá: "Quando falares cuide para que suas palavras sejam melhores que o silêncio". 

Outro dia estava conversando com alguns amigos sobre a música e o silêncio. Todos falavam sobre suas preferências e descreviam o papel que cada uma dessas figuras desempenhava em suas vidas. Lembro-me bem do que disse, quando chegou a minha vez: "Eu prefiro o silêncio. Não que eu goste daquele silêncio em que não se ouve nada, gosto de um silêncio com bg, se é que vocês me entendem. Apesar de adorar música e reconhecer o seu poder sobre nós, simples mortais, se eu tivesse que escolher entre ouvir música ou ouvir o silêncio, ficaria com a segunda opção numa escala de 70% pra 30%". 

Curiosa essa colocação para uma pessoa que trabalha falando pelos cotovelos e ouvindo música, não?! Ganho a vida assim e gosto muito do que faço, mas ando em busca de realizar o que o provérbio que inicia esse post aconselha. A cada dia que passa fica mais claro pra mim o poder que há no silêncio e o bem que ele me faz.


Domingo, Fevereiro 15, 2009

Sinais dos tempos


Tenho 33 anos. Quem me conhece sabe que essa frase será falsa por mais dois meses e alguns dias, que é quando realmente completo a idade de Cristo. Mas, já que tô quase lá, arredondei. Não sei se isso é praxe, mas posso falar de mim. Quando passei dos 30, comecei a perceber diversas coisas interessantes em volta. Hoje, vou me ater a uma delas. Com apenas 33, sou sempre uma das mais velhas nas turmas de trabalho. Tanto nos fixos, quanto nos projetos em que me envolvo com início, meio e fim. Ser uma das mais velhas com apenas 33 me leva a pensar que o mercado está mesmo muito perverso. Ou você se firma enquanto está nos idos dos vinte e pouco ou então... Só que contamos nos dedos as pessoas que conseguem esse feito tão cedo. Uma outra causa disso é que empregadores têm pago cada vez pior seus profissionais e o mais novos, normalmente, têm mais disposição para se submeter à condições não tão boas de trabalho. Chegam cheios de disposição e, diante de um mercado tão duvidoso, precisam adquirir experiência a qualquer custo. Afinal de contas, o tempo passa para todos, não é? Mas, preciso confessar que isso me causa uma certa frustração. Sempre gostei de me espelhar em pessoas mais velhas, de olhar pra fulano querendo ouvir: eu sou você amanhã (Lembram do comercial? Era de que mesmo??)! Onde estão vocês, caríssimos gurus? Onde foram parar?

Bom, deixa eu voltar aos meus 33. Quem me lê há mais tempo, sabe que uma das coisas que mais prezo na vida é envelhecer. Já dizia nosso grande Nelson Rodrigues: "Jovens, envelheçam." Pois eu atendo ao pedido desse grande mestre com prazer. E acho uma diversão olhar para os mais moços e ver que, para alguns, pareço uma senhora de seus 80 anos. Minha relação com o sol mudou, com o Carnaval também. Com a família, com o cachorro, com os amigos, com o mundo. E  sinto-me mais inteira. Mesmo que essa sensação nem sempre seja prazerosa. Há dor também num ser que se sente mais completo a cada dia, pois ela é parte da nossa construção como indivíduos. E vou me sentindo melhor a cada mudança de olhar, a cada percepção diferente, a cada certeza nova e a cada dúvida nova também. Sim, as dúvidas do passado vão dando lugar as do presente e assim por diante. Mas, o que seria de nós se não fosse o tempo, esse cara que nos transforma - se  formos minimamente inteligentes - para melhor.? Na Índia, os mais velhos são cumprimentados com toques nos pés, em respeito aos caminhos que já percorreram. E não há nada mais bacana do que os caminhos que percorremos, sejam eles físicos ou emocionais. Sem o tempo, os caminhos não se fazem e sem os caminhos, não há crescimento. Portanto, vivam os dois! E vivam os meus 33 adiantados!

Obs: A inspiração para esse texto veio de uma crônica que li hoje, na revista do jornal "O Globo", de autoria do cantor e compositor Bena Lobo. Vale a pena ler!!

Obs 2: A foto que ilustra essa crônica é da mão de um chinês de mais ou menos 70 anos. Eu o flagrei num momento de pura diversão, quando tocava seu instrumento musical e cantava em plena praça pública, na poluída Pequim. Que o tempo me permita ser assim quando crescer! Insha-Allah!

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Angelina Jolie do Oriente




Atendendo a pedidos, cá estou eu a falar sobre a China de novo. O que me parece muito bom. Afinal, recordar é viver.

No ano em que eu nasci, 1976, a China começava a se abrir para o mundo, em decorrência da morte de Mao Tsé-Tung. Muitas mudanças ocorreram nos cenários agrícola, industrial, militar e tecnológico para proporcionar ao país desenvolvimento econômico e humano também, por que não?! Bom, onde quero chegar com essa introdução que mais parece uma dissertação de mestrado?! No turismo. Sim, porque uma das consequências dessa abertura da China para o mundo foi permitir a entrada de estrangeiros no país. Mas isso foi se dar, de fato, na década de 90. Até então, havia poucos ET's na capital chinesa e a vida deles era completamente separada da dos habitantes locais.

Corta.

2008. Há quarteirões em Beijing onde se vê mais "laowai" do que gente de olhos puxados. Os turistas brotam das estações de metrô, de dentro dos táxis, dos hotéis e de monumentos que mais parecem ter saído de um filme de Zhang Yimou ( "Lanternas Vermelhas"). O mundo, definitivamente, voltou seu olhar para a China e parece manter firme o foco até agora. 

O mais interessante é que, até ir pro outro lado do mundo, eu só tinha visitado lugares onde sempre foi muito fácil não dar pinta de gringa. Na Europa, na América do Norte e na América do Sul, pessoas com meu tipo físico disfarçam bem e andam pelas ruas como se fossem locais. Se a língua não for uma barreira, então, melzinho na chupeta. Agora eu pergunto: e na China, meu amigo, como é que a gente faz? Não faz. Não há como disfarçar. Nem adianta tentar. Somos fisicamente diferentes, falamos línguas inimigas e até gesticulamos de formas opostas. Quer um conselho? Relaxe e aproveite a experiência. Mulheres loiras, de olhos relativamente claros e pele branca são consideradas atrizes de Hollywood por lá, praticamente irmãs de Angelina e Brad. A quantidade de vezes em que fui abordada na rua para tirar fotos é digna de entrar pro Guiness. E dizem que a foto vai parar na mesinha de cabeceira, na cômoda, enfim, em qualquer lugar de muito destaque na casa dos chinas. Só vivi algo parecido quando cobri o Rally Internacional dos Sertões e fui para regiões muito remotas do nosso Brasil, onde crianças vinham tocar em helicópteros - e em mim - para saber se éramos de verdade. Mas, na China, sei lá, a coisa parece tomar outra proporção. 

Agora me diz, vai: é ou não é incrível saber que a uma hora dessas uma família inteira de pequineses toma café da manhã olhando para a fotinho dessa "laowai" de mente inquieta?! Que o menino que sonha ser engenheiro estuda ao lado da figura de alguém que ele mal conhece, que os amigos jantam sob o olhar de uma brasileira que um dia se aventurou em terras distantes e disse "sim" a um singelo pedido para tirar uma foto. Voltei ao Brasil com um pedacinho da China e, de certa forma, a China ficou com uma pequena parte de mim.